Primeiras imagens oficiais do filme da Capitã Marvel

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O site da revista Entertainment Weekly divulgou a pouco imagens oficiais da nova aposta da Marvel no campo dos heróis espaciais. Com previsão de estréia para março de 2019, o filme da Capitã Marvel (Brie Larson) contará a origem da heroína e sua ligação com Nick Fury (Samuel L. Jackson), Mar-Vell (Jude Law) e outros personagens espaciais da editora. Pela imagens, podemos concluir que o filme já começará mostrando os desdobramentos da Guerra Kree-Skrull, com Carol Danvers liderando um esquadrão de elite (até agora chamado pelo estúdio de Starforce) e tendo como rival - entre as fileiras do próprio exército kree - ninguém menos que Ronan, O Acusador (Lee Pace). Com isso, as cenas em que aparecem Nick Fury e demais personagens do passado da major Danvers, seriam inseridas no meio do filme como flashbacks .

Afinal. Batman v Superman é um filme ruim?




Depois de mais de 25 anos lendo, relendo e vivendo HQs, eis que no ano de 2016 eu tive a oportunidade de assistir na tela grande, os personagens mais icônicos da DC Comics, frente a frente num embate mortal. Ao menos assim foi a imagem que os produtores venderam para os iniciados na arte da "banda desenhada" e também para o "público civil". De um lado temos o Batman: um bilionário que não acredita no sistema e faz justiça com as próprias mãos. Do outro, nada mais do que o Superman: um alienígena com poderes imensuráveis e complexo de messias. Confesso que a princípio achei a premissa do filme boa, pois teria a oportunidade de ver o duelo de Cavaleiro das Trevas agora em live action. Porém, quando o diretor é o egocêntrico Zack Snyder e quando há os executivos da Warner querendo alcançar a Marvel a qualquer custo, tudo pode dar errado.

Dois dos principais problemas do filme são a necessidade apresentar personagens que pouco influenciam no roteiro e a edição do filme. Sendo o filme uma continuação de Man of Steel, é certo que veríamos alguns personagens desse filme e lógico, o Batman. Os personagens do núcleo do Superman seguem o roteiro básico: Perry White é retratado como um profissional sensacionalista, assim como é todo editor de jornal. Lois Lane (interpretada pela bela Amy Adams) continua sendo a repórter investigativa do primeiro filme, seguindo a linha de sua personagem nas HQs. No núcleo do Batman, somos apresentados a apenas um personagem: o mordomo Alfred (interpretado por Jeremy Irons). Este para mim foi uma das surpresas "boas" do filme: agora ele não é apenas um mordomo e conselheiro do homem-morcego, é também um tipo de engenheiro responsável pelas parafernálias tecnológicas que Batman usa no combate ao crime. Para mim é algo mais convincente, pois uma vez que Bruce Wayne tem uma identidade secreta, o ideal é que o menor número de pessoas saiba a verdade sobre o Vigilante de Gotham. Nisto estão inclusos os funcionários da Waynetech: sendo assim, o mordomo acumula as funções pertencentes a Lucius Fox na trilogia do Nolan.




Uma personagem que achei que entrou bem no filme foi a Mulher-Maravilha. Quem tem vergonha na cara e ao menos parou para ler alguma minissérie da DC (com tantas lançadas a cada ano), sabe que nas HQs a mulheres são desenhadas como super-atletas, em outras palavras, um visual de lutadoras de MMA: vide personagens como Grande Barda, Poderosa, Batwoman, Mulher-Bala, Canário-Negro, Estelar, Caçadora, Justiceira e a própria Mulher-Maravilha. Mas apesar do corpo de Gal Gadot não ser a exatidão do que a personagem é nas HQs, sua atuação atendeu minhas expectativas: mesmo com sua participação no combate final, a história da personagem não foi toda entregue e manteve-se certa aura de mistério.


Quando saí da sala de cinema na estréia, vi uma garota perguntando a um rapaz qual a motivação da heroína em abandonar o avião e ir lutar contra o "monstro do Lex Luthor". Confesso que para mim foi um dos comentários mais sem noção que ouvi. Durante o filme, é revelado que a Mulher-Maravilha participou da Primeira Guerra Mundial e os arquivos da LexCorp mostram filmagens dela nos principais aeroportos da Europa. Coincidentemente, algumas das cidades identificadas são aquelas onde houveram eventos recentes (Paris, Londres, Bruxelas). E que raios isto significa? Concluo que depois de lutar na Primeira Guerra, a amazona decidiu não interferir no mundo do patriarcado, passando a agir somente como observadora, o que justifica ela estar constantemente nos locais onde acontecem eventos de importância global (conferências do clima, acordos de paz, atentados terroristas ou homenagens a soldados mortos em batalhas). Porém, ao presenciar a ameaça de Apocalipse, ela resolver voltar aos velhos tempos e resolveu colocar o monstro em seu devido lugar. Quando ela cita que já enfrentou monstros maiores, logo me veio à mente uma cena da revista mensal da fase Novos 52, onde uma Diana Prince jovem enfrenta um monstro da mitologia grega.




Lembro que quando anunciaram Ben Affleck interpretando Batman, muitas pessoas torceram o nariz. Aposto que após verem o filme, essas pessoas se arrependeram do pré-julgamento dado. Quem cresceu nas décadas de 80 e 90 - quando o politicamente correto não era lei - instintivamente aprendeu a muitas vezes torcer para o vilão e para o anti-herói. Em um certo podcast certa vez ouvi a frase:

"Quem queria ser o Luke Skywalker, se você poderia ser o Darth Vader?"

Nessa época eu comecei a ler quadrinhos e logo de cara li uma revista do Punisher. Mesmo não sendo uma das melhores fases do personagem, era possível observar nas páginas a violência e o senso de justiça cega, que a história queria passar. Na DC Comics, só vi isto quando anos depois, li Cavaleiro das Trevas. Ben Affleck interpretou o Batman que eu e diversos outros fãs - e até não fãs - queríamos: um personagem extremamente violento, paranóico e ainda traumatizado pela morte dos pais. Muitos podem considerar este Batman do filme um sociopata, devido à cena em que ele usa o "batmóvel" para arremessar um carro cheio de bandidos em outro veículo. Afinal, tratavam-se de malfeitores, pessoas que não cumprem a lei. Então nada mais justo do que um vigilante mascarado usar de métodos pouco ortodoxos, para fazer justiça. Afinal isto é uma obra de ficção.


Uma das melhores sequências do filme é justo aquela que o "público civil" e até quem é fã de HQs, não entendeu muito bem. Trata-se do sonho do Batman que mostra um futuro alternativo dominado por Darkseid. Esta sequência foi baseada em um arco das histórias da Liga da Justiça em que o vilão vêm à Terra para que Superman seja seu arauto e ele conquiste todo o universo. Por isso, é possível ver soldados usando uma insígnia do kriptoniano no uniforme e criaturas aladas - os parademônios. 





Ao final desta cena, temos uma das melhores surpresas do filme: a aparição de The Flash. Nesta cena, que emula uma outra da minissérie Crise nas Infintas Terras, o velocista escarlate aparece por alguns segundos rompendo o espaço-tempo e não só cruzando o limite de nossa realidade, mas também se materializando no inconsciente de Bruce Wayne. Sua mensagem a princípio é confusa, pois ele cita que Lois Lane é a chave para conter o mal, algo que só entenderíamos na parte final do filme.



Outro fator interessante do filme, foi a caracterização de Superman como um messias. Aqui o filme foca até que superficialmente a questão religiosa que poderia ser muito bem trabalhada com a imagem do Superman. Aliás, já faz um tempo que não leio uma história dele com essa temática, se não me engano a última foi uma saga escrita pelo Burt Kusiek em 2008. No filme, Zack Snyder até tenta fazer um paralelo entre ciência e religião quando mostra um grupo de cientistas debatendo as reais intenções de Kal-El em um programa de TV. Na sequência, é possível ver duas das cenas mais bacanas do filme: uma em que Superman é retratado como um anjo, vindo do céu para salvar uma família em uma enchente. A outra homenageia Alex Ross na série Marvel, ao reproduzir a cena do Anjo dos X-Men, no momento em que este desce do céu em meio à uma multidão, após salvar uma criança.

Vou agora falar da pior coisa do filme, que aliás pode ser resumido a um personagem: Lex Luthor. Até hoje, quem conheceu Lex Luthor pela TV e pelos filmes, é alguém digno de pena. Desde o primeiro filme em 1978, o personagem sempre foi marcado por interpretações ruins e este filme não foge à regra. Gene Hackman e Kevin Spacey, apesar de serem excelentes atores, não conseguiram incorporar o espírito do milionário egocêntrico, maquiavélico, estrategista e calculista que o personagem deve ser. Jesse Eisenberg interpretou um Lex Luthor bufão, mimado, praticamente um adolescente frustado tentando se vingar do mundo. Em todas as suas cenas, tive a impressão de que ele estava tentando unir o Coringa da série de TV com o Charada do Jim Carey. O personagem não tinha uma motivação clara, de porquê caçar meta-humanos. Nos quadrinhos, Lex Luthor é um mega-empresário calejado, experiente, um cara amargurado que lutou muito para chegar ao topo do mundo dos negócios. Suas principais motivações para odiar o Superman é não ter os mesmos poderes de um "deus" e também por Kal-El ter roubado dele, o título de personalidade mais importante de Metrópolis, algo que ele conseguiu construir a muito custo. Mas uma das motivações mais interessantes é premissa de Lex de considerar que a existência do Superman acomodou o mundo em ter sempre seus problemas resolvidos pelo kriptoniano, fazendo com que as pessoas parassem de buscar a evolução, ou seja, na visão de Luthor, o Superman e outros meta-humanos devem morrer para que a humanidade aprenda a resolver sozinha os seus problemas.


Apesar da meia hora final do filme ser corrida e mal editada, é aqui que acontece as duas melhores sequências de ação do filme. A luta entre Batman e Superman é algo sensacional, algo para ser revisto muitas vezes, tal qual a morte do Comediante em Watchmen. A princípio o Batman leva uns sopapos do Superman, mas no momento em que a ingenuidade deste permite que ele respire o gás de kriptonita, podemos ver o homem-morcego descarregando todo o seu ódio. Nesse instante, ele descarrega ali não só o ódio de um ser alienígena que provocou a morte de milhares de inocentes, mas o ódio que os anos de combate ao crime geraram: para Batman, a luta contra o crime é infinita, uma vez que os governos não se esforçam em chegar à uma solução. O embate entre os dois representa bem como seria a luta de um homem comum contra um deus: a desproporcionalidade de forças só seria equilibrada com inteligência.




A luta contra Apocalipse me decepcionou um pouco. O diretor reuniu Mulher-Maravilha, Batman e Superman e não aproveitou todos os poderes de cada um. Não vimos a supervelocidade do Superman, as técnicas de luta corpo-a-corpo da Mulher-Maravilha e tampouco Batman tinha um anel de kriptonita em seu cinto de utilidades, como vemos nas HQs. A sacada boa foi mostrar os militares como verdadeiros idiotas: uma vez que Superman estava levando a luta para o espaço e provavelmente jogaria Apocalipse no Sol, os palhaços do Pentágono resolveram disparar um míssil no Superman. Na hora me lembrei do míssil que atingiu o Pentágono no 11 de Setembro. Falando no Apocalipse, achei o design do monstro algo bem desproporcional e parecia ser feito às pressas pela equipe de efeitos digitais da Warner. Lembra até uma cópia do Abominável, vilão das histórias do Hulk.




Por fim, concluo que de fato não é um filme tão ruim quanto falaram, o que complica a avaliação é o parâmetro de comparação que usam, no caso os da filmes da Marvel. Esta por sua vez apresentou seus personagens em 5 filmes diferentes, antes da primeira aventura dos Vingadores nas telas de cinema. A Warner quis usar Batman v Superman para jogar na mente do telespectador, diversos personagens e informações ao mesmo tempo, de forma corrida e até um pouco atrapalhada. A maneira como foram mostrados os demais integrantes da JLA, foi vexatória. No mais, o que salvou o filme foi o Batman porradeiro de Ben Affleck, a esperança de ver um filme da Mulher-Maravilha com amazonas saindo no braço e a vinda de Darkseid ou até mesmo Brainiac e os kriptonianos de Kandor (opa, suposto spoiler) no vindouro filme da Liga da Justiça.

Nota: 2,5/5

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